sábado, 19 de maio de 2012

A Violência Doméstica e a Igreja Evangélica


A Mulher, a Criança e Adolescente, os Portadores de Necessidades especiais e os Idosos são as principais vítimas de violência doméstica. A Igreja Evangélica não esta livre desse mau, pois, tanto pela possibilidade de atuação contra esses crimes, como pela triste constatação de que membros passam por essa cruel experiência. “Nós não podemos ser omissos, nós não podemos ser coniventes com o que se diz respeito à violência doméstica dentro e fora das nossas igrejas. Precisamos abrir o espaço das nossas igrejas para combater essas formas de violência doméstica”, declarou a Primeira Dama de Senador Canedo e Secretária Municipal de Desenvolvimento Social e da Mulher Isaura Cardoso.
As pessoas que sofrem violência doméstica vêm de todas as esferas sociais, de todos os níveis escolares e de todas as religiões. Nenhuma mulher, criança e adolescente, portador de necessidades especiais e idosos estão isentos de sofrem algum tipo de violência doméstica. Os agressores, também não se encaixam em somente uma categoria específica. Eles vêm de todos os tipos de classe social, religião e ocupação profissional. Segundo o artigo[1], da Profª. Vanira D. Sarli, especialista em violência em ambiente familiar, uma Universidade Americana evangélica fez uma pesquisa, para saber como era a situação de violência domestica em Igrejas Evangélicas e o resultado foi que pelo menos 40% das pessoas entrevistadas, aleatoriamente, foram vítimas de abuso físico ou emocional nos seus lares antes de 18 anos de idade, e mais que 25% estavam vivendo em lares com incidência de abuso.
No Brasil, recentemente o Senado Federal realizou pesquisa[2] com mais de mil mulheres em cinco centro urbanos no país e constatou que 20% dessas mulheres entrevistadas já passaram por algum tipo de violência domestica. E nesses casos o tipo de violência sofrida foi de: 58,5% violência física; 19,5% violência psicológica e moral; 4,9% violência sexual; e 17,1% sofreram todas os tipos de violência. Os agressores dessas mulheres foram na maioria esmagadora os próprios cônjuges (74,8% dos casos). A pesquisa revelou ainda que quase 50% dos casos teve como catalizador da violência o consumo ou uso de bebidas alcoólicas.
“Na maioria das vezes a violência doméstica ocorre no período noturno, após o cônjuge chegar em casa e sempre esta relacionado com a bebida”, informou a Secretária. Segundo a pesquisa do Senado Federal mais de 70% dos casos de violência domestica é praticada por parceiros.  Já quanto ao local onde as agressões são praticadas, o balanço aponta para mais de 70% dos casos ocorrendo dentro de casa. Um estudo da Universidade Federal[3] de São Paulo (Unifesp) feito com 7 mil famílias em 108 cidades do Brasil, comprovou que o álcool funciona com um catalizador da violência doméstica. 

Sarli explica que as várias formas de violência doméstica tem características em comum. Elas são: Intencionais; são comportamentos apreendidos; são escolhas feitas pelo agressor-criminoso; sempre é inapropriada; e pode ser controlada através de terapia com profissionais treinados. A professora esclarece que a violência doméstica sempre ocorre em forma de abuso. E que esse abuso é dividido em três áreas: Abuso Físico, Abuso Psicológico ou Emocional e Abuso Sexual. Para cada uma dessas áreas de abuso há suas especificidades (veja tabela 1) e também as consequências para suas vítimas.
          
Tabela 1:

TIPOS DE ABUSO

CARATERÍSTICAS
Abuso Físico

Tais comportamentos incluem: Empurrar; beliscar; cuspir; chutar; morder; puxar o cabelo; esbofetear; golpear; sufocar; queimar; cacetear; esfaquear; jogar ácido; água fervendo, ou objetos; torcer os membros; derrubar a vítima, empurrar contra a parede, ou jogar da escada; prender; mutilar com facas, tesouras, ou outros objetos perigosos; e o uso de armas.  Queimar noivas, mutilar os genitais femininos, constituem abuso físico violento. Entre outros.

Abuso Psicológico ou Emocional

Inclui comportamentos tais como:     Crítica consistente e áspera, chamar a pessoa por nomes degradantes e depreciativos.     Ameaças verbais, episódios de furor, depreciação do caráter da pessoa, exigência de perfeição inatingível, possessão excessiva, isolamento, privação de recursos físicos e econômicos.
Abuso Sexual
Pode Incluir:     Carícias e toques inapropriados.    Comentários verbais sugestivos.    Incesto, molestação.    Estupro, contato oral/genital.    Carícias genitais ou nos seios.    Exposição indecente, etc...

Segundo Marta Cabrita do site Mapa do Crime (http://mapadocrime.com.sapo.pt), as consequências da violência doméstica[4] “são delicadas e podem permanecer durante muito tempo”. “Além das marcas físicas, a violência doméstica costuma causar também vários danos emocionais”, ressalta Marta. As principais consequências ou danos são: Prováveis distúrbios na vida sexual da vítima; Lesões graves ; Mau desenvolvimento da personalidade (no caso das crianças); Baixa auto-estima ; Dificuldade em criar laços, em construir relações; e A vítima, consoante a gravidade dos danos emocionais, pode passar, mais tarde, a ter o papel do agressor em vez do da vítima.  
Outra questão, afirmada por Sarli, de grande relevância é com relação à origem da violência doméstica ou familiar. Essa forma de violência é um comportamento aprendido e moldado, pois, os perpetradores desses comportamentos foram geralmente, criados em famílias nos quais sofreram abuso ou observaram abuso em outros membros da família. A Professora cita que o primeiro caso de violência familiar que temos registrado nesse mundo foi na família de Adão, quando Caim assassinou seu irmão Abel. “Esse assassinato provocou uma ruptura no plano de Deus, que era da família viver unida em harmonia e amor”, relembrou Sarli.
Isaura Cardoso 1ª Dama de Senador Canedo vem realizando na Secretária Municipal de Desenvolvimento Social e da Mulher um trabalho modelo no combate a violência domestica em Goiás. Evangélica, Isaura Cardoso, através de uma excelente estrutura física e profissional vem realizando ações contra violência doméstica contra a criança e adolescente, contra a mulher e tem buscado estender essas ações aos Idosos e Portadores de Necessidades Especiais. “A nossa atuação tem sido focada no trabalho de prevenção no sentido de contenção através da construção de um centro de apoio – com uma excelente estrutura física e com profissionais (Psicólogos, Assistentes Sociais, Médicos e etc.) - para atender nossa cidade. A partir desse momento, guando chegamos à família, com todo esse aparato nossa demanda aumentou. Porque desse momento em diante as famílias Canedenses tinham meios de para sair dessa violência”, explicou a 1ª Dama. O trabalho em Senador Canedo tem buscado envolver as Igrejas contra a violência doméstica. Segundo Ela o agressor, abusador e etc, que comete uma violência doméstica e continua na Igreja, é um criminoso e deve ser denunciado e levado a receber as devidas punições legais estabelecidas peças leis da nossa nação.
Segundo a Secretária o envolvimento da Igreja pode fazer um trabalho de ação social contra a violência doméstica, através da prevenção. “Prevenção que a igreja pode desenvolver contra essa violência vem através do ensino da Palavra de Deus que mostra como deve ser o comportamento do homem e o comportamento da mulher no ambiente familiar e qual é o propósito da família segundo a Escritura; e socializando essas pessoas com os membros da igreja. Essa é uma ação social que as Igrejas Evangélicas poderiam ajudar e muito. As Igrejas tem acesso a tantos locais, a tantas pessoas (de todos os tipos sociais, econômicos e profissionais) e essa abertura é muito pouco usada com esse fim”, acrescentou a 1ª Dama de Senador Canedo.
O Psicólogo e Pastor Natanael Ribeiro de Sousa, declarou que (na Igreja onde Pastoreia – com sede na capital goiana) infelizmente, já enfrentou alguns casos de violência doméstica e que estes foram tratados, acompanhados e alguns até denunciados a policia. O Pr Natanael informou também que os casos de violência doméstica tratados na sua comunidade envolveram a mulher, a criança e adolescente e o idoso. Segundo o Psicólogo, geralmente a pessoa vítima de violência doméstica não fala o que esta passando porque é ameaçada, principalmente as pessoas da terceira idade e mulheres.
Outro ponto que o Pr Natanael apontou é que a violência parte de uma pessoa que se diz superior para uma que aceita o papel de inferioridade. Pois, a violência doméstica é um comportamento modelado em que o agressor ou agente violentador não começa espancando, estuprando e ameaçando a pessoa de morte. A ação violenta começa aos poucos, muitas vezes com sutilezas; e esse comportamento vai sendo aceito por parte da vítima ela não denuncia e automaticamente essa pessoa vai sendo diminuída e outra vai como se crescendo e até chegar o ponto em que ocorrem casos de estupro, espancamento e morte. “E esse comportamento modelado do agressor, de inicio argucioso e simples, ocorre em todas as camadas da sociedade, infelizmente”, ressaltou o Psicólogo.
Segundo o Pr Natanael, a estatística de violência doméstica é bem maior, pois, o agressor após executar a agressão assume, quase sempre, outro tipo de comportamento. Ele assume uma postura de humildade e passividade. Esse agressor declara que a atitude agressiva reincidente que teve, será a última ou que ágil agressivamente por influência maligna. “É preciso ter discernimento para perceber o que é influência maligna e o que é situação em que o agressor deve se responsabilizar. Ora se um homem chega em casa, por qualquer que seja a influência, e espanca a esposa, não á como justificar isso. Tudo agora coloca-se a culpa no diabo. Creio que a influências malignas em tudo o que não presta, injusto e mal; mas é preciso ter a responsabilidade de entender que a violência doméstica não pode de forma alguma ocorrer nem emocionalmente, nem fisicamente e nem sexualmente”, destacou o Pastor.
“Geralmente os agressores se escondem. Eles estão dentro de casas com as suas vítimas e calam as suas vítimas, as quais não devem temer e ter medo. Violência Doméstica deve ser denunciada a polícia e não ao pastor. O Pastor deve se compartilhar com a vítima para o aconselhamento pastoral. Quando alguém diz que vai matar o outro, que vai bater no outro, ou que está agindo agressivamente ou imoralmente com um ente familiar, isso é muito sério. Não vamos esperar mais gente morrer; mais crianças serem machucadas e abusadas; e idosos serem mal tratados, para tomarmos uma iniciativa. A polícia é um órgão público que Deus levantou para defender a sociedade e principalmente para cuidar dos fragilizados, desfavorecidos e incapazes de se defender. Vamos usar essa ferramenta que nos é oferecido pelo governo”, advertiu o Pr Natanael.
O Psicólogo salienta que a Igreja Evangélica pode ajudar a combater a violência doméstica de forma profilática. A polícia atua quando esta ocorrendo a violência doméstica, e a igreja deve atuar na prevenção, e isso ocorre com a abertura do aconselhamento pastoral, não somente a igreja, mas à comunidade em que esta inserida. “E comum receber em minha Igreja pessoas que não são membros da igreja, mas que nos procuram para receber esse apoio. A Igreja Evangélica deve levar a pessoa, que sofre esse mal, ao conhecimento da palavra, que nos liberta. E é liberdade em todos os sentidos. Nesses casos, libertar essas vítimas, levando-as a entender que elas não podem ser violentadas por ninguém e principalmente no lar. O lar deve ser um lugar de cordialidades, de amor, de educação, de empatia. O lar é principal lugar onde o evangelho de Jesus Cristo deve ser vivido e apresentado. O lar é uma benção deixada por Deus ao seres humanos e não um ambiente hostil, agressivo, frio, sofrível e rude”, explanou Pr Natanael.
Outra forma preventiva de atuação da Igreja, estabelecida pelo Psicólogo, contra a violência doméstica é através de ações práticas como a dos pequeno grupos nas casas (Exemplo: grupos familiares e/ou células). São feitas reuniões nos lares dos membros e até de não membros da igreja, onde são abordados todos os tipos de assunto sobre uma ótica Bíblica. Num mês é tratado sobre vida familiar, no outro só sobre criação de filhos e no seguinte aborda-se vida financeira. Dessa forma, profilaticamente combatemos problemas familiares evitamos que situações difíceis progrida até chegar em uma condição insustentável de violência. “Não há nenhum caso de violência doméstica, por pessoas que passaram a ser assistidas e acompanhadas nesses pequenos grupos. Portanto, a minha sugestão é que as igrejas se envolvam com suas comunidades, que os membros das nossas igrejas abram as portas de suas casas para receber seus vizinhos, amigos e familiares ou que se encontrem dispostos a sair do conforto de seus lares e irem a outras casas abertas a receber o evangelho” ponderou Pr Natanael.
Segundo o Pr Natanael o qualquer pessoa pode ajudar a combater a violência sendo um agente observador do seu grupo de convívio. Não é possível ter acesso ao comportamento privado das pessoas, porém temos acesso aos comportamentos públicos da pessoa. Todas as pessoas têm um padrão de comportamento, mas quando a pessoa muda subitamente, ficando nos cantos, cabisbaixo, quando uma criança passa a evitar a proximidade de um ente familiar, quando a mulher começa a chorar muito e o idoso fica muito calado e abatido, essas pessoas podem estar passando por algum tipo de violência doméstica. “A partir dessa percepção você deve com muita discrição chamar essa possível vítima para uma conversa reservada e tranquila e nesse momento é que se vai procurar entender o que de fato esta ocorrendo”, explicou Pr Natanael.

A violência doméstica é um mal que solapa a base da nossa sociedade, que é a família. A Igreja Evangélica, como representante do Senhor nesse mundo tem o dever e a grande oportunidade de assumir o papel de defensor da família e de combatente principal da violência doméstica. É hora da igreja evangélica deixar a passividade e a omissão ao que esta ocorrendo com os mais fracos em nossas famílias. Se cumprirmos o segundo mandamento mais importante, deixado por Deus, “amar o próximo como a si mesmo”, não permitiremos que mais e mais mulheres, crianças e idosos sejam vítimas de violência. Cada crente deve se ver como agente de Cristo onde esta inserida, primeiramente em sua casa, depois na sua vizinhança, em seguida na igreja, escola, faculdade ou trabalho. E essa condição (agente de Cristo) confere a responsabilidade de cuidar e combater as injustiças e violências.
     
por: Leonardo Felipe
colaboração: Leandra Felipe

[1]              http://www.portaladventista.net/qs/materiais/qs30.doc
[2]              http://www.mulherdemocrata.org.br/RelatorioViolenciaContraMulher.pdf
[3]            http://www.abril.com.br/noticias/comportamento/estudo-constata-alcool-move-violencia-domestica-477382.shtml
[4]              http://mapadocrime.com.sapo.pt/violencias%20domestica.html




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